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Na noite do dia 21 de junho, a Câmara Comunitária da Barra da Tijuca reuniu em sua sede autoridades e a comunidade da região da Barra, Jacarepaguá e Vargens para um debate sobre “Os riscos de acidentes ambientais nas lagoas da baixada de Jacarepaguá e possíveis soluções”. Participaram da mesa o presidente da entidade, Delair Drumboski, o subsecretário de ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Antônio da Hora, o ambientalista, David Zee e o biólogo Mário Moscatelli.
Na ocasião Moscatelli apresentou um acompanhamento fotográfico com imagens aéreas da região que comprovam como a ação do homem devastou planícies e encostas ao longo dos anos. O crescimento desordenado de favelas, assim como a falta de tratamento de esgotos até mesmo em condomínios de luxo na região poluindo bacias hidrográficas com esgoto in natura e desmatando imensas áreas verdes para a criação de lixões. O trabalho apresentado pelo biólogo comprova que os rios literalmente foram transformados, em verdadeiros valões de esgoto. “Esses rios não têm mais vida. Morreram. Eles hoje se assemelham a um vaso sanitário, levam levam esgoto para lagoas e baías, que se transformam em imensos pênicos”, sentencia Moscatelli. “Infelizmente, falta muito para os gestores públicos e, principalmente, a sociedade entender que estamos cavando nossa própria sepultura. Os próximos quatro anos serão fundamentais tanto do ponto de vista ambiental como econômico, já que a cidade passa por um período de revitalização para receber os grandes eventos esportivos”, acrescentou o biólogo.
Já o subsecretário Antônio da Hora declarou que várias ações estão em andamento. “Um dos principais projetos é fazer um cordão de isolamento, em parceria com a prefeitura, para que o que cai nos rios, não vá para as lagoas. Também existe a possibilidade de se aproveitar os sedimentos das lagoas para diversos fins, aqui na Barra por exemplo, o Quebra-Mar pode ser ampliado e avançar mais alguns metros para o mar, o que protegeria a praia, e essa expansão pode ser realizada com o aproveitamento destes sedimentos. A CEDAE também está investindo nas UTRS, Unidades de Tratamento de Rios, como a de Arroio Fundo”, declarou Hora.
Para o ambientalista David Zee a Barra é uma região desfavorecida. “Nossa região é pantanosa e sofre com a ocupação humana desordenada e as alterações climáticas. É muito importante que diversas ações sejam desenvolvidas pelas autoridades e pela comunidade para que venham melhorar a circulação de águas nas Lagoas. Já está na hora das autoridades se conscientizarem sobre os riscos da degradação ambiental”, informou Zee.
Apesar de todos os problemas, Moscatelli afirma ser possível despoluir rios, lagoas e baías a médio e longo prazo. Segundo ele, várias UTRs devem ser instaladas nos leitos dos rios. “Em dois anos não teremos mais esgoto chegando. Vão ser necessários mais cinco anos para fazer dragagens, retirar o lodo depositado no fundo e recuperar os manguezais”, calcula o biólogo. “Tecnicamente falando, incluindo as políticas de saneamento, habitação e transporte, em 20 anos é possível reverter o processo de degradação de 200 anos”, finaliza Moscatelli.
No final do encontro, o Sr. Odilon de Andrade, morador do Parque das Rosas deu como sugestão marcar uma reunião com a presença de representantes da Rio Águas e CEDAE para debater as questões ligadas a poluição das redes pluviais, fato que teve a aprovação de todos os presentes. Infelizmente, o secretário municipal de meio ambiente e vice prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Muniz não compareceu, mas enviou para representá-lo o Sr. Demostenes Cruz, seu assessor, o que deixou a comunidade da Barra um tanto descontente, fato este, que foi pontuado pelo presidente da Câmara, Sr. Delair Drumboski.
Demais assuntos abordados no encontro
Aproveitando a presença da comunidade local e das autoridades presentes, o presidente da Câmara voltou a abordar a questão da abertura do Túnel Zuzu Angel, para Marquês de São Vicente, tendo em vista o número de escolas próximas ao local, a PUC-RJ, a clínica São Vicente, entre outros estabelecimentos que aumenta a circula.Outra questão que foi debatida por todos foi a questão das varandas, também chamadas pela prefeitura como “puxadinhos” que tanto implicam o fechamento de varandas com vidros, como implicam o fechamento das mesmas para ampliação de ambiente.Vale ressaltar, que a lei dos puxadinhos, sancionada em 2009, regulamenta no Rio o mecanismo conhecido como regularização onerosa, que permite a legalização destes acréscimos, porém os valores desta cobrança é que estão indignando os moradores, pois não diferenciação do fechamento com vidros para os demais.
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