![]() | Hoje | 64 |
![]() | Ontem | 139 |
![]() | Nesta semana | 894 |
![]() | Neste mês | 2206 |
![]() | Geral | 68540 |
| Lagoas da Barra e Jacarepaguá à espera de um milagre |
|
Hoje nas lagoas da Barra e Jacarepaguá quase de tudo pode ser encontrado com exemplos constantes de sofás, carrinho de bebê, pneus, tanque de combustível, embalagens plásticas, televisão, armário, cadeiras, aro de ventilador, galões, tapetes e até calcinhas compõem a nova fauna do Complexo Lagunar de Jacarepaguá. Peixes, antes fartos, já não são os personagens principais. Formado pelas lagoas da Tijuca, de Jacarepaguá e Marapendi, e de Camorim, o sistema reflete em suas águas um histórico de abandono que se arrasta há décadas e que pode ter um fim em 2016. Por conta dos compromissos olímpicos, prefeitura e estado anunciaram uma série de investimentos milionários para que, em quatro anos, as lagoas da região possam respirar turismo e pesca, em vez de lama e lixo. A mortandade de peixes já é comum e chama a atenção, principalmente na Lagoa de Jacarepaguá. O grande número de garças que sobrevoam o complexo dá o (mau) sinal de que há peixes mortos ou então bem próximos à superfície, em busca do oxigênio escasso no fundo. O biólogo Mario Moscatelli revela que já chegou a contar 35 sofás e 72 pneus durante uma ronda pelas lagoas. Na semana passada, flagrou um cavalo morto na Lagoa do Camorim: — O último estudo relativo à Lagoa da Tijuca, em 1999, mostrou que havia seis milhões de metros cúbicos de lama e lixo. Desde então, houve duas grandes enchentes. É provável que o número tenha aumentado para sete milhões. A degradação de 40 anos na Bacia de Jacarepaguá já é equivalente à de 200 anos da Baía de Guanabara. Para tentar reverter esse quadro, o estado vem investindo na ampliação da rede de esgoto na região e se prepara para lançar, no fim do ano, uma grande obra de dragagem e drenagem nas lagoas. De acordo com o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, o governador Sérgio Cabral formalizou um pedido ao Ministério das Cidades para incluir na proposta orçamentária de 2012, que será votada em setembro, uma verba de R$ 550 milhões para as obras. Segundo o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, a obra sairá do papel no fim do ano, mesmo que a verba federal não seja aprovada. Porém, nesse caso, a execução será mais lenta. Ele estima que, usando recursos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam), os trabalhos demorariam até cinco anos para ficarem prontos, já que há outros projetos ambientais em curso. Com a verba federal, levariam dois anos. Segundo Minc, são três milhões de metros cúbicos de material a ser dragado. Para realizar o transporte, seriam necessários 200 mil caminhões. A ideia da secretaria é reduzir o custo pela metade, criando uma ilha artificial. O espaço receberia parte do material retirado do fundo das lagoas e depois seria transformado em parque ecológico. — Só parar de jogar esgoto não basta. As lagoas precisam ficar navegáveis, gerar turismo, esportes, pesca. A secretaria também planeja usar a verba federal para prolongar o Quebra-Mar em cem ou 150 metros: — É um dos primeiros lugares que teremos que desassorear. Com o prolongamento, há menos assoreamento e menos entupimento. Isso facilita a troca de água entre a lagoa e o mar. Enquanto o pedido não é aprovado, o governo trabalha no saneamento básico da região. De acordo com Minc, 85% da Barra e 65% do Recreio estão cobertos por rede de esgoto. Em Jacarepaguá, porém, esse percentual cai para 15%. Para atingir a totalidade em quatro anos, o governo usará R$ 700 milhões do Fecam: — R$ 84 milhões serão investidos no esgotamento sanitário do eixo olímpico, em torno de onde estarão os principais equipamentos esportivos. R$ 168 milhões serão para a conclusão dos trabalhos na Barra e, principalmente, em Jacarepaguá. Outros R$ 220 milhões vão para o Recreio e as Vargens; e mais R$ 110 milhões, para comunidades de Jacarepaguá. Com o objetivo de também controlar o que é lançado nas lagoas, a prefeitura anunciou, na semana passada, a construção de quatro Estações de Tratamento de Rios (UTRs) nos rios Arroio Pavuna, Pavuninha, Anil e das Pedras. Serão investidos R$ 164 milhões. A estação do Arroio Fundo já está funcionando. As obras da UTR de Arroio Pavuna começam no segundo semestre. |