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É quando nos esquecemos de nós mesmos que fazemos coisas que merecem ser recordadas. (Autor desconhecido)

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Esgoto é despejado in natura na Lagoa de Marapendi, diz biólogo

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Fazer parte de uma área de preservação ambiental há 20 anos parece não ser o suficiente para que a Lagoa de Marapendi, Zona Oeste do Rio, fique livre de agressões. Em uma de suas extremidades, na Barra da Tijuca, o esgoto é jogado in natura por meio de uma galeria pluvial, diz o biólogo Mario Moscatelli, que registrou a cena. Na outra ponta da lagoa, no Recreio, Moscatelli fotografou o escoamento de esgoto misturado a cianobactérias a partir do Canal das Taxas.

"Enquanto o governo do estado, por meio da Cedae, faz grande propaganda dos pesados investimentos efetuados no saneamento da Baixada de Jacarepaguá, áreas tidas como servidas pelos serviços de coleta do esgoto continuam extravasando esgoto pelas galerias de águas pluviais mesmo quando repetidamente é denunciada a situação por meio da mídia. Aí nasce um paradoxo inexplicável: Quando não há dinheiro nem rede coletora, lança-se o esgoto pelas galerias águas pluviais; porém, quando há dinheiro e rede de esgoto, continua-se jogando o esgoto pelas galerias de águas pluviais! Aí nunca vai se sanear nada de fato na cidade e principalmente na Baixada de Jacarepaguá. Até quando os 'ratos de esgoto' vão continuar emporcalhando nossas lagoas e as autoridades vão continuar vivendo num mundo de fadas? Autoridades, falem menos, honrem seus salários e mexam-se", protestou Moscatelli, que em junho flagrou uma mancha de esgoto invadindo a Lagoa de Jacarepaguá , no relato enviado para o Eu-Repórter.

A Rio-Águas informou que enviará uma equipe técnica à Av. Prefeito Dulcídio Cardoso nesta semana para avaliar o caso. A Cedae afirmou que apenas uma análise do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) "poderá afirmar se o material que aparece nas fotos é realmente esgoto". Se esse for o caso, "o mesmo deve ser proveniente de ligação clandestina", disse a concessionária, que se comprometeu a enviar equipes para vistorias nos locais citados ainda no domingo (11).

Segundo a Cedae, 85% dos clientes da Barra e 60% do Recreio já estão conectados ao que chamou de "sistema formal". Prédios, condomínios e casas que recebem a rede de esgoto são notificados e têm 30 dias para se conectarem ao novo sistema. Passado o prazo, são denunciados ao Ministério Público por crime ambiental, diz a Cedae.

Por telefone, a presidente do Inea, Marilene Ramos, garantiu que uma equipe do órgão, responsável por monitorar a qualidade das águas de rios e lagoas no Rio, vai vistoriar os locais fotografados em até 72 horas. Ela admitiu que a qualidade da água das lagoas e rios da Baixada de Jacarepaguá ainda é ruim:

- As pessoas estão prejudicando a elas próprias - disse Marilene, em alusão ao despejo irregular de esgoto por imóveis vizinhos às lagoas.

Em agosto, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, declarou que cerca de R$ 550 milhões já haviam sido investidos na implantação do emissário submarino, estação de tratamento e redes coletoras de esgoto nos bairros de Jacarepaguá, Barra da Tijuca e Recreio. Ainda de acordo com o secretário, R$ 680 milhões para a conclusão da ligação das redes de esgotamento sanitário dos três bairros já haviam sido aprovados. À época, uma das metas anunciadas por Minc foi a dragagem de três milhões de metros cúbicos de material das lagoas.


Fonte: Globo