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Para fazer uma obra de arte não basta ter talento; não basta ter força; é preciso também viver um grande amor. (Wolfgang Amadeus Mozart)

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O futuro da Barra

Cerca de 300 mil cariocas vivem hoje na Barra.  Eram 175 mil em 1997, quando foi inaugurada a Linha Amarela, ligando o bairro à ilha do fundão.  Em 2016, na Olimpíada, esse número estará chegando a meio milhão, e o Plano-Piloto de Lúcio Costa, foi sem qualquer dúvida, fator determinante para que o Rio de Janeiro fosse escolhido como Cidade Olímpica entre várias candidatas a essa honra.  Quase todas as questões relativas à qualidade de vida na Barra estão equacionadas e a caminho de solução, exceto a infraestrutura de transportes e a despoluição das lagoas, porque nada foi feito nos últimos 13 anos, embora a população, nesse período, tivesse quase dobrado.

O sonho da Olimpíada de 2016 aumenta a motivação para corrigir os problemas. O Governo do Estado reafirmou, sem qualquer vacilação, o compromisso para extensão da linha 2 do metrô até o inicio da Av. das Américas – a chamada estação Jardim Oceânico – com as obras iniciadas.  O BRT (Bus Rapid Transit) fará a conexão do metrô com todos os outros pontos do bairro os corredores viários Transcarioca, Linha C e Transoeste completam o programa viário para os Jogos Olímpicos de 2016.

Por isso, esses devem ser os pontos focais do esforço conjunto de todas as áreas de governo, tanto para o pleno sucesso da Olimpíada como para o bem-estar de mais de um milhão de cidadãos. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisas Sociais (IBPS), divulgada pela revista VEJA, desmente a teoria de alguns arquitetos e urbanistas de que “a Barra é um bairro de ricos”.  E também revela que, curiosamente, a maioria dos que desejam mudar para a Barra não mora na Zona Sul nem é formada por pessoas com mais de 24 anos.  Ou seja, a Barra não é sonho dos mais ricos mas sim dos moradores de outros bairros – que afirmam gostar de ir ou morar lá – e é sonho dos que mais têm direito a sonhar.

Todos os números da pesquisa confirmam e justificam a frase final da reportagem de Veja: “Não há o que discutir. Por mais que os moradores da Zona Sul ainda a considerem um corpo estranho, um lugar diferente, ali está o futuro da cidade”.  Exatamente o que Lúcio Costa imaginou em seu Plano-Piloto, “o maior bairro oceânico do mundo”.

No legado de Lúcio, o projeto da Barra ocupa um lugar pelo menos tão importante como o que Brasília está agora exaltando em seu 50º aniversário.  E deve ser igualmente preservado como natural área de expansão urbana organizada, com regras claras de convivência entre moradias e locais de atividade econômica e profissional.  Isso exige não só vigilância do poder público, mas também um programa de obras que acompanhe o crescimento populacional as exigências de defesa do meio ambiente, os avanços tecnológicos em todas as áreas - enfim, tudo aquilo que evite a degradação de uma área urbana e a mantenha contemporânea em sua concepção.

Isto significa evitar na Barra os males que muitos de nossos bairros (e não só no Rio de Janeiro) acumularam durante séculos ou até em pouco tempo, como em Goiânia e até mesmo no entorno de Brasília.  Os esforços da maioria de nossos governantes tendem a se concentrar em seus mandatos.  Essa autolimitação ao “aqui e agora” os leva, freqüentemente, à renuncia de imaginar e construir o futuro.  Na história do Rio de Janeiro, Pereira Passos, Carlos Lacerda, Negrão de Lima são alguns dos inesquecíveis administradores, exatamente porque ligaram seus nomes aos de gênios como Paulo de Frontin, André Rebouças, Oscar Niemeyer, Burle Marx, Lúcio Costa, idealizadores e construtores do futuro.

 

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Kleber Machado

Advogado e Presidente da BARRALERTA 

Fonte: Jornal O Globo - 19.05.10 - Página 07