Pensamento do Dia

O homem que envelhece vai tomando gradativamente consciência de que não é eterno. Agita - se menos e, assim, os sons das vozes que vêm do além se fazem ouvir. (Romano Guardini)

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Na Tribuna da Cidadania de Junho

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisas Sociais (IBPS), divulgada pela revista VEJA, desmente a teoria de alguns arquitetos e urbanistas de que “a Barra é um bairro de ricos”.  E também revela que, curiosamente, a maioria dos que desejam mudar para a Barra não mora na Zona Sul nem é formada por pessoas com mais de 24 anos.  Ou seja, a Barra não é sonho dos mais ricos, mas sim dos moradores de outros bairros – que afirmam gostar de ir ou morar lá – e é sonho dos que mais têm direito a sonhar.

Todos os números da pesquisa confirmam e justificam a frase final da reportagem de Veja: “Não há o que discutir. Por mais que os moradores da Zona Sul ainda a considerem um corpo estranho, um lugar diferente, ali está o futuro da cidade”.  Exatamente o que Lúcio Costa imaginou em seu Plano-Piloto, “o maior bairro oceânico do mundo”.

No legado de Lúcio, o projeto da Barra ocupa um lugar pelo menos tão importante como o que Brasília está agora exaltando em seu 50º aniversário.  E deve ser igualmente preservado como natural área de expansão urbana organizada, com regras claras de convivência entre moradias e locais de atividade econômica e profissional.  Isso exige não só vigilância do poder público, mas também um programa de obras que acompanhe o crescimento populacional as exigências de defesa do meio ambiente, os avanços tecnológicos em todas as áreas - enfim, tudo aquilo que evite a degradação de uma área urbana e a mantenha contemporânea em sua concepção.

A transferência para a zona portuária de algumas construções para atender aos visitantes, atletas, imprensa e turistas, é uma solução duvidosa, que poderá trazer mais problemas de locomoção entre as diferentes sedes dos jogos de uma olimpíada.  Devem ser aceleradas as obras de coleta de esgotos com a ampliação da malha coletora de molde a minimizar a degradação do complexo lagunar.  A navegação em nossas lagoas, quando limpas, poderá ser uma alternativa ao caótico trafego das Avenidas das Américas e Ayrton Senna.

O transporte de massa para ligação com a zona norte e oeste, como  Penha, Deodoro e Campo Grande irá melhorar fluidez de veículos.  Para a zona sul são indicados a linha 4 do metrô ligando o Jardim Oceânico à estação General Osório; a duplicação da estrada Lagoa Barra e a execução de um projeto de 1990 que aumenta uma pista a Avenida Niemayer.

São obras caras e demoradas para serem implantadas, porém precisam ser iniciadas imediatamente se o Prefeito desejar uma cidade maravilhosa em 2016.  O legado ficará para os munícipes que transitam entre a Barra e outros bairros da cidade, para trabalho ou a lazer.

               

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